No último encontro de casais "Girassóis", o Pastor Renato Luiz Becker trouxe um assunto que é atual e frequente em nosso mundo moderno: As crises conjugais e consequentemente as separações.
De maneira dinâmica, os casais relataram suas crises, emoções e razões. Não existe casamento sem alguma crise e o importante é o diálogo e a compreensão para o bom andamento conjugal.
A seguir, o pastor Renato trouxe para o grupo uma exposição, para superar e entender melhor estas situações e queremos compartilhar com você que está lendo esta reportagem.
Crises
Conjugais - Separação
Os
casais que vivem sua parceria ou seu casamento, sempre precisam conviver com
boa dose de estresse. Logo que surgem as primeiras crises matrimoniais se ouve
vozes do tipo: - É!... A lua de mel já é coisa do passado! Ora, não existem
receitas prontas para um casamento feliz! E assim, é dentro dessa realidade que
marido e mulher sempre acabam se defrontando com questões do tipo:
- Como viver o amor, o dar-se
um pelo outro sem esperar nada em troca, no dia-a-dia?
- Como vivenciar esta relação
ao lado da pessoa escolhida?
- Será que o matrimônio sempre
tem um fim?
- Qual é a diferença entre
casar-se e juntar-se?
A verdade é que os
projetos para uma relação matrimonial feliz sempre se fazem presentes na cabeça
de quem almeja o casamento, mas é após a Celebração do mesmo que começa o
dia-a-dia.
- O que fazer para se alcançar
a felicidade a dois?
Hoje é assim que a parceira e o
parceiro são senhoras; são senhores de si. Essa realidade faz com que eles não
consigam mais estar um sob o cuidado permanente do outro. Para minimizar isso
há que se gastar tempo com diálogo para se planejar projetos conjuntos que
levem ao cuidado mútuo; que desemboquem na gratidão pela percepção de que a
parceira e ou o parceiro se importam conosco.
Sim, aqui o diálogo, a troca de
experiências, de pensamentos e de sentimentos é essencial. Casais que se articulam
desta maneira dificilmente experimentam crises complicadas de serem vencidas. É
importante que a mulher e o homem se esforcem no sentido de compreender o ponto
de vista da ou do parceiro. Em alguns casos o aconselhamento ou a terapia
ajudam o casal a sair dos “becos” que aparentemente parecem ser sem saída.
- Se um casal não consegue mais
se encontrar como tal, qual é o melhor momento para a separação; para tentar
uma nova busca no sentido de superar todas as diferenças?
Enquanto os parceiros ainda
experimentam alguns sentimentos positivos e um pouco de esperança no futuro,
eles devem fazer de tudo e mais um pouco para salvar o seu casamento. O
psicólogo americano John Gottmann afirma que numa relação complicada sempre
ficam evidentes alguns sinais de fracasso. Ele chama estes sinais de
“cavaleiros apocalípticos”. Estes sinalizadores de relação quebrada se
expressam em forma de crítica; de posição defensiva; de desprezo e de
demonstração de força – por exemplo. O fim de um relacionamento se anuncia
quando ainda só se briga; quando não se ri mais em conjunto; quando não se
preza mais as necessidades essenciais de afeto; de sexualidade e lealdade;
quando se vive a vida expressando insatisfação crônica com palavras e com o
corpo; quando os conflitos e o estresse passam a promover doenças; quando se
instala a baixa auto-estima e quando não se dá mais muita atenção para a vida
matrimonial.
- Porque é que a separação
matrimonial de uma parceira ou de um parceiro sempre se mostra tão difícil?
Ora, se uma relação matrimonial
foi de qualidade e esteve alicerçada num bom tempo de convívio, ela sempre será
dolorosa e difícil de acontecer.
- A separação de casais sem
filhas e filhos é mais fácil? - É correto o casal continuar juntos em favor das
filhas e dos filhos?
É assim que casais sem
filhas e filhos não experimentam separações tão problemáticas. Se assim
desejarem, depois de separados, eles não precisam se ver nunca mais. Já os
casais que tem filhas e filhos vão passar sua vida inteira se relacionando de longe;
ouvindo falar um do outro. Antes que as suas crianças alcancem a maioridade,
eles precisarão dialogar a respeito da vida; do futuro das suas filhas e dos
seus filhos. E aí então, depois que os mesmos já estiverem adultos, estas mães
e estes pais separados certamente ainda ouvirão notícias um do outro. Aqui e
ali elas e eles ainda terão que se encontrar e ou até decidir sair do caminho
quando de reuniões familiares. Quer dizer, ficar juntos por causa das filhas e
dos filhos não é de todo ruim. Agora, se mesmo assim prevalecer disputa,
desprezo e violência na atmosfera familiar, daí então a experimentação da
separação também não é de todo má para as crianças.
- Quem se casa na Igreja
promete viver fiel ao parceiro até que a morte o separe. Será que uma pessoa
cristã pode se separar do seu parceiro de caminhada?
De acordo com a nossa fé, as
pessoas cristãs prometem o “não abandono”, tanto nos bons quanto nos maus
momentos; que ficarão juntos até que a morte os separe. Elas fazem esse
juramento com convicção e sem reservas. O problema é que é da condição humana
que podemos falhar, apesar de todas as nossas boas intenções; que podemos
cometer erros nos relacionamentos com outras pessoas e assim nos tornarmos
culpados. Em Mateus 19 Jesus diz que o divórcio não é bom, mas Ele também
admite que se possa dar Carta de Divórcio por causa da dureza do coração que
possuímos. Quer dizer: Jesus aceita o divórcio por razões pastorais. Além do
mais, nós, luteranas e luteranos, a partir de uma perspectiva bíblica, não vemos
o Matrimônio como um Sacramento (Algo que é e acabou!), mas como uma
Bênção. Aliás, Lutero já entendia o matrimônio como sendo “uma questão
secular”.
- Há separações que
aparentemente se mostram um sucesso? Será que a guerra entre um homem e uma
mulher pode mesmo ser curada com o divórcio?
Fazer um retrospecto da vida a
dois sempre é preciso. As boas e as más experiências da vida de um casal
precisam ser colocadas uma ao lado da outra. Tanto um quanto o outro lado
precisam abdicar do desejo de, constantemente, demonizar a relação vivida; a
parceira e ou o parceiro de caminhada. Uma separação bem-sucedida sempre
depende do olhar crítico para dentro de si. Agredir e ou se comportar como
vítima, isso não ajuda em nada! Se as crianças estão envolvidas, é muito
importante que o casal se separe claramente um do outro. Que se diga e se viva
o fato de que não se pode viver junto, mas que se continua com a maternidade e
a paternidade das crianças no foco. A mediação profissional em favor da
separação pode ajudar numa separação mais saudável. Mas que se tenha em mente:
Toda e qualquer separação tem a ver com amputação.
- Hoje algumas Igrejas oferecem
rituais distintos para Separações. Será que isso é bom?
Há belas Liturgias pra momentos
de divórcio. Elas, no entanto, se mostram pouco úteis. Uma parceira e um
parceiro já devem ter um extremo grau de maturidade para selar o fim de seu
casamento dessa forma.
O cotidiano agitado das
pessoas, aliado à grande facilidade de obter o divórcio (segundo dados de uma
pesquisa, a cada quatro casamentos, ao menos um acaba em divórcio), tem
diminuído a duração das uniões matrimoniais. Hoje, o tempo médio de duração dos
casamentos brasileiros é de apenas cinco anos, três vezes menor do que era há
dez anos. Para se experimentar um casamento pleno, as crises são necessárias,
já que são elas que vão servir como termômetro para o casal medir as quantas
anda o seu relacionamento. Um relacionamento que dá certo é um edifício que tem
que ser construído todos os dias. A seguir, acompanhe os nove passos (Atenção:
é apenas uma receita...) para você ter um casamento feliz!
1- Nunca
se endivide. Tudo o que é barato, por mais barato que seja, se você não
precisa, é caro!
2- Não
deixe acabar o diálogo. No namoro, o casal conversa por horas no portão ou pelo
telefone. Recupere este hábito sempre, e nunca responda com monossílabos como
''Sim'', ''Não'', ''É'', ''Tô'', ''Vou'' etc.
3- Não
deixe acabar o romantismo. Não basta acender a fogueira, tem de colocar lenha
para o fogo continuar a arder!
4- Não
se esqueça de datas especiais, e não se canse de dizer “Eu te amo!''.
5- Tenha
uma vida sexual ativa.
6- Deixe
claro que a família está sempre em primeiro lugar na sua vida.
7- Aprenda
a perdoar. Não exija a perfeição - Que você não tem – na parceira ou no
parceiro.
8- Não
trabalhe demais. Tire, pelo menos, um dia de folga por semana. Faça ''Breaks''a
cada três meses. Lembre-se de que o diabo não tira férias, mas vive no inferno.
9- Cultive
a espiritualidade!
P. Renato Luiz Becker
Comunidade Evangélica de Itoupava Central
Sínodo Vale do Itajaí (SC)
Telefone: 047 3337 2473
E-mail: renato.luiz.becker@gmail.com